'A família desapareceu', diz parente de brasileiros mortos em ataque israelense no Líbano
Família de brasileiros mortos em bombardeio no Líbano fala sobre ataque Um parente dos brasileiros mortos em um ataque israelense no Líbano afirmou nesta ter...
Família de brasileiros mortos em bombardeio no Líbano fala sobre ataque Um parente dos brasileiros mortos em um ataque israelense no Líbano afirmou nesta terça-feira (28) que "dorme e acorda com medo" em meio aos bombardeios israelenses ao território libanês. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp O homem, identificado como Nader, deu entrevista ao jornalista Gabriel Chaim na Globonews. Nader é parente do menino de 11 anos e de uma mulher, ambos brasileiros, que foram mortos em um ataque de Israel ao sul do Líbano. A brasileira morta, identificada como Manal Jaafar, era mãe do menino Ali Ghassan Nader. O pai da família, o libanês Ghassan Nader, e uma etiopiana que era diarista da casa também foram mortos no ataque, segundo Chaim. "Nós vivíamos no Brasil em paz, nunca aconteceu nada com a gente enquanto vivemos nessa terra boa, de família, de um povo que gosta de povo. Não é igual aqui [no Líbano], que todo dia a gente dorme com medo e acorda com medo. Hoje falo com um amigo que está vivo, e amanhã ele está morto pelos bombardeios de Israel, que bate no Líbano sem coração e com maldade para esse povo que vive no sul do Líbano", afirmou Nader. Ele também chamou de mentiroso o cessar-fogo entre Israel e Líbano anunciado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, na semana passada. A trégua foi firmada após encontro entre os governos israelense e libanês, com mediação americana. Porém, desde então, foram registradas várias violações por parte de Israel e pelo Hezbollah - grupo extremista libanês aliado do Irã. Nader disse ainda que a família não morava mais na casa bombardeada, porém foi até o local durante a trégua para retirar alguns pertences. O ataque aéreo atingiu a casa quando eles estavam se preparando para voltar a Aramoun, onde passaram a morar por causa do conflito. "O bombardeio queimou e derrubou a casa inteira. (...) Agora não tem casa, nem terra, nem nada. Queimou de uma hora para a outra, a família desapareceu. É triste", disse Nader. Os corpos de Ghassan e de Manal ainda não haviam sido localizados até a última atualização desta reportagem. Bassem, de 22 anos e irmão do menino Ali, foi o único sobrevivente do ataque e recebeu alta do hospital nas últimas horas. Ali Ghassan Nader, Ghassan Nader e Manal Jaafar, vítimas de um bombardeio no Líbano. Reprodução / Redes Sociais Itamaraty confirma morte de 2 brasileiros no Líbano O Ministério das Relações Exteriores brasileiro informou na segunda-feira (27) que um menino brasileiro de 11 anos, sua mãe, também brasileira, e o pai, libanês, morreram após ataques israelenses no Líbano. "O governo brasileiro tomou conhecimento, com consternação e pesar, das mortes, em 26/4, de criança brasileira, de 11 anos, de sua mãe, também brasileira, e de seu pai libanês, vítimas de ataque das Forças de Defesa de Israel". O Itamaraty informou ainda que o ataque israelense ao Líbano constitui mais um exemplo das "reiteradas e inaceitáveis violações ao cessar-fogo" anunciado em 16 de abril. Isso porque, conforme o governo brasileiro, dezenas de civis libaneses, incluindo mulheres e crianças, morreram nesses ataques. "Ao expressar sinceras condolências aos familiares das vítimas, o Brasil reitera sua mais veemente condenação a todos os ataques perpetrados durante a vigência do cessar-fogo, tanto por parte das forças israelenses quanto do Hezbollah", afirmou o Itamaraty. O Brasil vem defendendo ao longo das últimas semanas que as tropas israelenses devem deixar imediatamente o Líbano. Além disso, tem defendido que o cessar-fogo entre Israel e Irã seja estendido ao Líbano, garantindo a soberania do país. “A família encontrava-se em sua residência, no distrito de Bint Jeil, no Sul do Líbano, no momento do bombardeio”, informou o Itamaraty. Segundo o ministério, a embaixada brasileira em Beirute está em contato com a família dos brasileiros que morreram no ataque para prestar assistência. Fumaça no Líbano após um ataque israelense neste domingo (26). REUTERS/Shir Torem A ofensiva ocorreu após a emissão de um alerta de evacuação para moradores de sete cidades e vilarejos da região. Segundo o Exército israelense, os ataques foram motivados por “repetidas violações do cessar‑fogo por parte do Hezbollah”. Pelos termos do acordo firmado em abril, Israel mantém o direito de continuar realizando operações militares contra o Hezbollah, mesmo durante o período de cessar‑fogo. Cessar-fogo frágil Donald Trump anunciou na quinta-feira (23) a prorrogação do cessar-fogo entre Israel e Líbano por mais três semanas. A decisão foi tomada após uma nova reunião entre autoridades dos dois países em Washington. A trégua entrou em vigor em 16 de abril e previa duração inicial de 10 dias. Com a renovação no dia 23, o cessar-fogo deve durar pelo menos até o início da segunda quinzena de maio. No entanto, Israel e o Hezbollah nunca deixaram de trocar ataques.