Prisão perpétua para atirador de jantar com Trump é provável, assim como de condenados nos anos 70, analisa advogado
Veja o momento em que agentes de segurança retiram Trump de evento após estrondos Um homem abriu fogo no prédio onde ocorria o jantar anual de Donald Trump c...
Veja o momento em que agentes de segurança retiram Trump de evento após estrondos Um homem abriu fogo no prédio onde ocorria o jantar anual de Donald Trump com correspondentes da Casa Branca no último fim de semana. O suspeito foi formalmente acusado de tentar assassinar o presidente dos Estados Unidos — crime que, para muitos, poderia levar à pena de morte. No entanto, o cenário mais provável é de que ele seja condenado à prisão perpétua. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias em tempo real e de graça O atirador, identificado como Cole Tomas Allen, de 31 anos, compareceu nesta segunda-feira (27) à primeira audiência sobre o caso, em um tribunal de Washington. Ele foi denunciado por três crimes, segundo o Departamento de Justiça: tentativa de assassinato do presidente dos Estados Unidos, que pode levar à prisão perpétua; transporte interestadual de arma de fogo para cometer um crime, com pena de até 10 anos de prisão; disparo de arma de fogo durante um crime violento, com pena mínima de 10 anos e máxima de prisão perpétua. Para Gustavo Ribeiro, professor de Direito na American University Washington College of Law e Diretor do Programa de Estudos Legais e Judiciais Brasil-Estados Unidos, as chances de que Tomas Allen passe o resto da vida preso são elevadas. "A tentativa de assassinato do presidente da República admite essa pena máxima. Em exemplos históricos, como os de duas pessoas que tentaram assassinar o presidente Ford na década de 1970, ambas foram condenadas à prisão perpétua, embora tenham sido libertadas após mais de 30 anos de cumprimento de pena", disse o advogado, em entrevista ao g1. Em setembro de 1975, o então presidente dos Estados Unidos, Gerald Ford, sobreviveu a duas tentativas de assassinato em um intervalo de 17 dias — ambas cometidas por mulheres na Califórnia. A primeira ocorreu em 5 de setembro, em Sacramento. Lynette Fromme, integrante da chamada “Família Manson”, apontou uma arma para o presidente enquanto ele caminhava por um parque, mas o revólver falhou e não disparou. ➡️ A “Família Manson” era uma seita liderada por Charles Manson no fim dos anos 1960. Ele se apresentava como uma reencarnação de Jesus Cristo e manipulava seguidores — em sua maioria jovens — para cometer crimes, incluindo assassinatos. Pouco mais de duas semanas depois, em 22 de setembro, Ford voltou a entrar na mira. Em San Francisco, Sara Jane Moore disparou um tiro quando o presidente saía de um hotel, mas errou o alvo após ter o braço desviado por uma pedestre que estava próxima. Lynette Fromme, à esqueda, Cole Tomas Allen, no centro e Sara Jane Moore, à direita Montagem g1/Wikimedia Commons/Reprodução/Redes Sociais E a pena de morte? Uma tentativa de assassinato contra o presidente da maior potência do mundo pode, à primeira vista, ser sinônimo de pena de morte — mas não é. O primeiro ponto é que o crime ocorreu em Washington, D.C., onde a pena capital foi abolida em 1981. No entanto, mesmo se o atentado tivesse ocorrido em outro estado, ainda assim seria improvável. Segundo Gustavo Ribeiro, isso se deve à própria natureza do crime. “Mesmo em estados que preveem pena de morte, seria pouco provável sua aplicação em um caso de tentativa. Em geral, a punição máxima é reservada a formas específicas de homicídio consumado”, disse. LEIA MAIS: Como atirador conseguiu chegar tão perto de Trump e outras perguntas sobre ataque em Washington Falta de segurança e sem identificação: as falhas no evento de Trump que terminou em pânico em Washington O caso Homem é detido no chão por agentes de segurança em imagem divulgada por Donald Trump após tiros disparados em jantar de correspondentes da Casa Branca com presidente dos EUA, em Washington, nos EUA, em 25 de abril de 2026. Reprodução/ Truth Social O jantar, evento anual em que o presidente dos EUA se reúne com correspondentes que cobrem a Casa Branca, ocorria na noite de sábado (25), em um hotel em Washington, quando foi interrompido após tiros serem ouvidos. Trump foi retirado às pressas e o autor dos disparos foi detido por agentes do Serviço Secreto. Allen é professor e não tinha antecedentes criminais. O jantar foi interrompido, e jornalistas e autoridades do alto escalão do governo norte-americano que estavam no local se agacharam. Trump, a primeira-dama Melania Trump e o vice-presidente JD Vance, que estavam em uma mesa no palco do salão, foram retirados, enquanto os jornalistas permaneceram para checagens de agentes do Serviço Secreto. Jornalistas relataram que o esquema de segurança para entrada no evento não foi rigoroso. A equipe da TV Globo que esteve no local afirmou ter passado por apenas uma checagem de segurança.